sexta-feira, 11 de setembro de 2009

UMA LIGAÇÃO CARA

Aquele dia seria o primeiro que a memória selecionaria para iniciar uma amizade comprida, que existe pelo menos até a data onde estas linhas começaram. Num velho ônibus coletivo “Universidade-401” que faz o itinerário Centro-Universidade Federal do Piauí um bate-papo começou e esse foi o ponta-pé para muitos outros.

- Ei, menina senta aqui na frente que atrás não tem mais cadeira! - E não tinha mesmo, eu, é que como sempre não prestava atenção em nada, e ela nem sabe, mas esta foi minha primeira lição sempre que pegava ônibus nem prestava atenção mas agora vejo se há cadeiras nos espaços reservados para os portadores de necessidade especiais e ainda rezo para que nenhum apareça. Sim, eu sentei e fomos conversando sem dúvidas algumas besteiras, que calouros falam quando entram nos cursos universitários, como é típico.

Deste “Ei, menina”, porque nem ela sabia meu nome e nem eu o dela, começamos nossa amizade. A partir daí, viriam muitas coisas vividas e muitas lições aprendidas, afinal, eu era uma nerdizinha, metida a certinha e que tinha o imbecil sonho de que inteligência podia se aprender, mas eu descobri com ela, que isso é coisa de berço. Então fui aprender o que dava, as putarias, ela é minha 'guru de putarias', e muitas lições depois daquela do ônibus vieram. No entanto, não levantei de madrugada, para escrever sobre isso, e sim para expressar com palavras uma angustia que foi pelo menos para mim um divisor de águas em nossa amizade, esse só foi o contexto.

Na noite de ontem descobri que ela está grávida, e esse nem é o problema. Fiquei mesmo chateada, foi porque eu nem sou o pai, porque isso é humanamente impossível, pelo menos do ponto de vista da Biologia, e nem sou a mãe da grávida, porque estes sempre são os últimos a saberem. Eu pensava que era amiga! Uma colega de universidade, do curso de jornalismo, que conhecia ela a bem um mês soube pela boca dela antes que eu, e até estas linhas principiarem ela não me contou.

Muito surpresa, ligo para uma outra amiga que sem duvidas saberia, e num é que sabia! Aliás foi a primeira a saber. Eramos três, clichê de novela, agora ficou só duas! Eu abdico se tinha alguma chance de ser madrinha porque depois dessa, não dá mesmo! A propósito, gastei todos os meus créditos nessa ligação porque acima de tudo eu pensava que tinha uma promoção e nem tinha.

Deveras, eu estava surpresa, mas não parou por aí, soube nesta ligação que ela vai casar, que o namorado que mora no Rio vem viver aqui, e que a garota “mau”, vai ter seu momento de princesinha. Isso chega para todas meu bem! A explicação para isso tudo, é que, eu não te julgaria, não diria que está ou estava errada, que és louca, que como é que pode? Eu apoiaria, ficaria feliz e riria junto de tudo que viria, então era para contar tudo para Dai que você me ligou aquele dia pedindo o telefone dela? Até quem fim, eu atendi.

Teresina, 11 de setembro, 8 anos depois do atentado ao Wolrd Trade Center.

terça-feira, 21 de julho de 2009

No meio das balas: a trama da viúva negra

Imagino que todo ser humano que já freqüentou algum bar escutou histórias bizarras, coisas sem sentido, ou com algum sentido dentro da embriaguez etílica. Mas como essa, jamais vi igual, e é porque tem cada história de bar que eu conheço meu amigo! Que se gastariam páginas para escrevê-las.

Era um domingo à tarde quando começou o que parecia um primeiro encontro, dias depois se descobriria que não era bem assim, em pleno show da Tribo de Jah, numa casa de festas na periferia, onde tiros sempre são elementos de decoração. Apesar de o reggae pregar a paz na maioria de suas letras, costumeiramente as festas regadas a esse som são bastante violentas. E essa não era diferente, as balas decoravam aquele lugar.

O jovem tinha acabado de tocar, antes que começasse a Tribo de Jah é claro, numa banda Full! Mas isso num tem nada de mais e não tem mesmo, porque é só uma contextualização do fato. O que interessa mesmo é que o rapaz estava encostado no muro, olhando o show esquivando das balas. Do outro lado, no outro muro, uma bela mulher com um amigo que por sinal era seu professor, mas o que o professor tem haver com a história? Bom, ele quem convenceu ela a ir à festa, os dois também se esquivavam das balas. Que porra é essa, tantas balas? E elas nem acabaram...

Os dois na mesma festa tinham um amigo em comum, e nem era o professor que só queria ir embora depois de Guerreiros, por causa deste “cabrinha” , o jovem e a bela mulher se encontraram, lógico que a bela mulher com toda sua faceira, já tinha postos os olhos no rapaz do outro do lado do muro. Depois das apresentações, é elas aconteceram, em pleno século XXI mesmo, “trocaram telefone depois telefonaram e decidiram se encontrar”, não resisti a Renato. A bela mulher perguntou o endereço, pegou seu carro e foi ao encontro do rapaz do muro que toca numa banda full.

Já se aproximando do endereço, ela ficou deveras intrigada - Caralho eu já morei nessa rua! – disse ela. Ligou para o rapaz do muro confirmou o numero da casa e ficou mais boba ainda. Aí é que estranho, como já dito o que parecia o primeiro encontro, não era, e nem os desvios das balas eram os primeiros. Um flashback a mente tomou conta dos pensamentos da bela mulher – Meu Deus! Eu já morei naquela casa, e há vinte anos, meu pai entrou em casa atirando, minha mãe pegou-me no colo e correu pulou o muro, do primeiro vizinho, e o meu pai atrás, pulou o muro do segundo vizinho e meu pai continuava atrás, este último ajudou minha mãe, fez meu pai parar de atirar e salvou minha vida e da minha mãe, mas seria muita coincidência. – E ela estava certa, foi justamente na mesma casa que o rapaz do muro morava, e ele era o filho do vizinho que tinha seis anos quando o primeiro encontro e as primeiras balas aconteceram.

Puta coincidência essa! Tenho a impressão que esse romance é um tanto quanto perigoso, os dois se encontram ainda, tem algo muito desejoso e atrativo entre eles, é um fogo, é um tiro, é uma bala, assim o enlace continua, penso eu que até os próximos tiros... e que eles demorem até que a bela mulher consiga aquilo que deseja dele. E como ela mesma diz “só assim eu poderei arrancar a cabeça dele”. Que bela mulher essa viúva negra, não?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Duvide da vida, mas pós-modernidade viva!

O que eu queria estar fazendo agora? A resposta dessa pergunta é bem fácil! Eu queria está numa festa de São João em algum lugar perdido ou achado no meio de Pernambuco ou dentro do ônibus que me levasse para São Raimundo Nonato, para vivenciar o maior encontro de arqueólogos do mundo. Mas esse desejo não cabe nas mãos, só no coração!
Sabe qual é o problema do dinheiro? Sabe, não? Ora, é não ter dinheiro! Justamente por essa razão estou aqui nesse momento, sentada em frente ao computador, escrevendo qualquer coisa pro tempo passar e chegar a hora de eu ir pra casa, lavar roupa e limpar o chão!
Eu duvido todos os dias se as coisas que eu desejo realmente se farão na minha vida, e mesmo assim continuo vivendo tentando crer que tudo dará certo, mesmo que demore. O desespero cotidiano, a corrida diária atrás de um ônibus que certamente demorará, preocupada se dará tempo, se farei todos os trabalhos, se o blog está atualizado, se eu vou ter dinheiro para o congresso, se vai estar frio, se terei que comprar roupas quentes, se dará tempo fazer o artigo, como é que manda trabalho pro congresso? Se perco o curso ou o emprego?
Mesmo assim estou aqui, na frente do computador tentando entender a necessidade da minha presença aqui se eu não fiz, e nem vou fazer nada. A não ser ficar a manha toda na internet vendo besteira, em vez de procurar algo interessante que pudesse estudar. Novamente começa a tocar Faroeste Caboclo, agora lembrei os motivos que levaram as escrever é que minha vida se parece com a de João de Santo Cristo!

sábado, 20 de junho de 2009

Descaracterização do humano

Ainda me surpreendo com a capacidade humana de se desumanizar. Tanto anos passaram desde a criação da sociedade pelos homens e mesmo assim parece que ainda estamos vivendo numa idade anterior a das pedras.
Sabe onde fica guardado o problema da humanidade? Dentro da impossibilidade dos homens de olhar para o outro como se fosse ele próprio, falta-nos alteridade, falta-nos amor, próprio e pelos pares, falta-nos competência suficiente para não precisarmos destruir uns aos outros. Isso é uma questão de guerra, e esta é deveras perigosa, porque com armas você sabe contra o que está lutando, mas com gestos, símbolos e idéias você não sabe. Guerra simbólica? Não! Guerra humana por falta de amor, por falta de respeito.
O problema disso tudo é que os homens começaram a achar podiam e podem tudo sem se preocupar com nada, sem se preocupar com o que vão fazer com o próximo e como este vai se sentir, não nos preocupamos mais com a dor, com as capacidades, com as habilidades e com as competências individuais. Temos e vivemos a cada segundo com o medo de sermos superados por alguém, mas não deveria ser este o nosso medo. Drumonnd já disse uma vez “deseje para si o melhor e ele se instalará sobre você”. Não percamos tempo preocupados com quem vai nos superar façamos o nosso melhor. Prove que é melhor, mas não ofenda, não massacre, não humilhe e não diga pelas costas aquilo que tens vergonha de falar olho no olho.
Depreciação desumaniza. Diga na minha cara aquilo que falou para os outros, fale para mim mesma aquilo que disseste ao cara para que ele não me ajudasse, sem se preocupar o que eu pensarei de você. Não sorria pra mim, não me pergunte como estou você tem direito de não gostar de alguém, mas não me desumanize fingindo que se importa com o que eu sinto isso é uma barbárie, isso não é humano. Cada pequena falcatrua que a principio não é nada pode ser uma grande catástrofe em longo prazo.
O que não presta, o que não é bom, não é presta e não é bom, mesmo que isto aconteça todos os dias e que pareça cotidiano ainda assim é ruim, é violento é depreciativo, é desumano. Não mate um pedacinho de alguém todos os dias, bondade não destrói ninguém, pode até apavorar a principio, mas não cometa a barbaridade de pensar que ela deixou de existir. Ainda temos chances e eu acredito nelas!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Diploma para Jornalistas e Cozinheiros, já!

Logo pela manhã, ouvi a celebre frase do Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes: “Jornalista é como Cheff de cozinha, não precisa de diploma para ser bom”. Coitados dos jornalistas e estudantes de jornalismo que, assim como eu, não sabem cozinhar.

Jornalismo é uma profissão e precisa sim ter uma regulamentação. Já pensou se todos os diplomas universitários não forem mais obrigatórios? Para se entender de leis e de Constituição, Senhor Ministro, também não é preciso fazer o curso de Direito? Então, o diploma deve ser extinto também...

Técnicas, práticas, leituras, Teorias da Comunicação e do Jornalismo, e tantas outras atividades que fazem parte do currículo de um curso de Jornalismo; tudo isso foi desconsiderado quando se votou pela extinção da obrigatoriedade do diploma, da nossa tão perigosa profissão. O jornalista é um mediador de informação e noticias, não é o dono da razão, da verdade, não é o único que se expressa, que comunica. O ato de falar, utilizar sinais é comunicar; partindo disso, todos os cidadãos são livres, quanto à expressão e à comunicação. Ora, sendo assim o diploma não é inconstitucional.

Nós, jornalistas, fomos comparados a chefes de cozinha, desmerecendo tanto a nós, como aos chefes de cozinha. Voltamos ao tempo em que as únicas profissões que merecem valor são as de médicos, advogados e engenheiros. Ser jornalista vai muito além do somente escrever. Diferentemente do que disse a advogada do Setersp, Tais Gasparian,a profissão do jornalismo tem técnica sim, ela é formada em jornalismo por acaso pra saber?

O Ministro Gilmar Mendes continuando o seu “belíssimo” discurso disse que o jornalismo não exerce perigo algum para a coletividade. Que memória curta... foram esquecidos todos os grandes erros e acertos jornalísticos que mudaram a história do Brasil e do mundo.

Para ser escritor realmente não é preciso ser jornalista. Aliás, para escrever não é preciso nem ter profissão, é preciso somente saber escrever. Desculpem-me, mas agora terei que aprender a cozinhar, eu sabia fazer o Lead, agora precisarei saber fazer comida.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Que raios de bicha é essa?

Já se avistava o rio, o Velho Monge era o horizonte, isso significava que o Sistema de Eletrônico de Bilhetagem- SEB, vulgo Setut, estava próximo. Por incrível que não pareça, a “bicha”, como falam nossos anfitriões de língua, estava maior que todas as vezes que eu já tinha visto.
A velha carreira de estudante me obrigou a enfrentá-la, afinal, uma lei judicial me dá o direito à meia passagem. Com aproximadamente 600 metros para mais ou para menos, como dizem as pesquisas de opinião, me dispus mais uma vez, por necessidade obviamente, a cumprir esta cruel aptidão de estudante teresinense.
Teresina é considerada uma das menores capitais do nordeste e também do Brasil, e mesmo com toda sua pequenez possui um precário, ineficiente e caro sistema de transporte coletivo. Mas pior que isso, porque é comum passar 40 minutos numa parada de ônibus, é ficar uma hora, 30 minutos e alguns segundos na “bicha” para colocar créditos estudantis e assim ter acesso à meia passagem que nos cabe por direito.
Ergui os olhos após algumas fotos daquilo, daquele monstro, daquela “bicha”. Oh! “bicha” meu Deus! Mesmo assim não desisti, após alguns minutos em pé encontrei uma amiga de curso e logo tratamos de dar um jeitinho brasileiro e pelo menos esta uma hora e meia passou com uma boa conversa e muitos sorrisos. Mas não foi rápido coisa nenhuma, afinal uma hora e meia é sempre uma hora e meia.
O SEB foi descentralizado, vários pontos de distribuição foram espalhados pela cidade. No entanto, o que parecia uma solução se tornou um problema ainda maior, pois apenas espalharam os computadores pela cidade e a central ficou com menos caixas distribuidores de passagens estudantis. Talvez seja esta a explicação para aquela “bicha” homérica.
Colocados meus créditos, desci as escadas e me perdi da amiga naquele mundaréu sem fim. Depois de passar por tudo isso compreendi fidedignamente o motivo pelo qual nossos colonizadores portugueses e irmãos de língua chamam fila de “bicha”.
Pense numa bicha grande! Essa expressão cabe perfeitamente para aquele alinhado de pessoas, que estavam próximas ao Velho Monge naquela tarde.

Escolha já seu nerd! - Seminovos



Porque toda mulher precisa do seu!

sábado, 30 de maio de 2009

AULA DE ANTROPOLOGIA

To morrendo de sono e esse tempo que não passa...
Já imaginei toda a minha vida, como tudo aconteceu e podia ter acontecido. Desde os tempos da pequenez, coisas que a mãe falava sobre o fato de eu não saber sentar, engatinhava e caía, com queixo no chão que sempre ficava ferido. Mas estou aqui e pelo visto não bato mais o queixo ao chão. Aprendi a caminhar, levantar e de vez em quando uma topada.
Das lembranças infantis, as petecas na areia, a bola velha no campinho de futebol, e aquele hábito infeliz de sempre cair do pé de seriguela em frente a casa de madeira alugada e velha em que morávamos, e quantas quedas ainda vieram, e cá estou eu em pé ou pelo menos pareço estar.
Ah! Os banhos nas cachoeiras, nem lembrava mais deles, como era fascinante imaginar a quantidade de água que caía e quanto litros de suco dava pra fazer, sempre achei isso um tanto quanto sem sentido, mas nunca me vinha algo diferente a cabeça. Boas inbecilidades eram aquelas.
Os amigos da rua, a bicicleta e as lombadas, numa estrada de terra batida o asfalto era um sonho distante. Os gritos daqueles que saltavam mais alto ecoavam no tempo, hoje eles chegaram aos meus ouvidos novamente. OPA! Presente, professora! A aula acabou e os devaneios se foram, não era o grito dos velhos amigos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

INTERCRÔNICA NORDESTE


Logo às seis da manhã, com uma dor de cabeça que me corroía os neurônios, ouvia o chamado da responsabilidade. Levantei, fiz o café, tomei banho e comi como de costume na labuta diária. Mas este sábado seria diferente de todos os outros e eu nem imaginava.
Antes de mais nada é necessário dizer que eu levantei com uma puta dor de cabeça porque tinha ido dormir extremamente tarde depois que o corpo de bombeiros foi embora. Isso mesmo, corpo de bombeiros! Na noite anterior eu havia ficado trancada pelo lado de fora, junto com minha mãe e o hóspede que participava do congresso junto comigo e dormia em minha casa. Que coisa! Mas eu sempre havia sonhado em ser socorrida pelo corpo de bombeiros, afirmo que não foi uma experiência lá das melhores. O carro deles apareceu depois que passamos meia hora no telefone tentando convencer um bombeiro que aquela ligação não era um trote. Bênçãos, ele acreditou, e só assim fomos socorridos. Por causa deste fato um tanto quanto inusitado varei a noite acordada.
Tinha que estar na Universidade às sete horas da manhã, infelizmente isso foi impossível, o cansaço do corpo não me permitia tal proeza. Mesmo atrasada consegui estar lá às oito. A oficineira a qual eu estava monitorando ficou preocupada, junto com o professor Orlando, que era o responsável pela divisão das oficinas, naquele Intercom Nordeste; tudo isso por causa do atraso de uma hora, o que já era considerável. Quando eu cheguei fui explicar para o professor o que tinha acontecido, imaginem só como ele riu da minha cara, pedir socorro aos bombeiros para entrar em casa era muito engraçado!
Fiquei na oficina que já estava no último dia, muito interessante por sinal, pois falava sobre comunicação e cidadania. Depois de um acalorado debate sobre cotas raciais, meu coração, que já estava acelerado por causa da discussão na oficina ficou mais atormentado quando se aproximava a hora em que eu tinha que apresentar o meu trabalho. Era uma crônica, ela havia sido selecionada para o Expocom. Fui, apresentei e tudo aconteceu da melhor maneira possível sem nenhum problema, graças a Deus!
O almoço foi bem mixuruca, o restaurante universitário naquele dia não tinha caprichado em nada na refeição, de qualquer maneira almoçamos e a fome passou. Voltamos para ver mais apresentações do Expocom, chegamos e já estava na última, um livro-reportagem sobre a loucura. Quanta coincidência, mas a jovem que falou sobre loucura não tinha dinheiro pra voltar, nem eu e meus amigos para dar a ela. Adivinhem o que fizemos, aquilo que fazemos de melhor, um pedágio pelas salas e corredores da UFPI, e em menos de uma hora esse problema estava resolvido e jovem alagoana já podia comprar sua passagem e voltar para casa.
Tomamos sorvete, comemos e bebemos chegou à hora de assistir ao último painel e esperar ansiosamente pelo resultado do Expocom. Depois de muito ouvir sobre cibercultura e mundo digital, a hora do resultado havia chegado. Ansiosa e junto com os amigos fui ao auditório receber o resultado. A jovem alagoana que por sinal tem nome de flor, Acácia, ganhou com o melhor livro-reportagem. E eu que nunca tinha ganhado nada também. Viva, agora Curitiba nos espera!
Os amigos, confesso, estavam mais confiantes que eu, mas como tudo tem uma primeira vez, como dizem os otimistas e a história, a minha tinha chegado e o coração estava inundado de felicidade, nem lembrava mais da dor de cabeça e do desespero de outrora, tudo agora são sorrisos e abraços. E reproduzindo o grito na hora do resultado, é Piauí Caralho!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Uma crônica que não saiu

Pelo jeito vou passar a noite inteira tentando fazer uma crônica sobre uma bolsa de mulher e ela não vai sair. O dia foi daquele jeito: a primeira coisa que fiz foi ligar a TV e acabei por ouvir a abertura do programa da Ana Maria Braga. O texto inicial falava justamente da mulher na modernidade que estava cansada... Acordar cedo, trabalhar, a correria de todos os dias, estava cansada do tempo das mulheres independentes. Queria voltar pro tempo da Amélia.
Minha nossa! Aí, já viu! Fiquei “p” da vida porque não era possível que alguém desejasse voltar para os tempos em que o mundo da mulher era uma casa. Tomei banho, troquei o absorvente, porque para piorar eu estou menstruada, uma cólica filha da puta (que me perdoem as putas), mas estava doendo.
Saí para rua, passei meia hora esperando um ônibus para ir fazer uma entrevista. Credo! O entrevistado estava doente e na casa da mãe dele, pior ele deve ter uns 70 e ainda tem mãe viva, a maior surpresa do dia.
Não tinha jeito, marquei uma entrevista com outra pessoa e ai deu certo, pelo menos isso! Fiquei alguns minutos bem feliz, porque revi um amigo que há dias não via e acabei ganhando uns beijinhos. Hum, hum!
Almocei a comida que eu mesmo fiz depois que cheguei! Às duas horas tinha que sair e assim o fiz. Que ódio! Tínhamos que terminar uma revista. No meio do processo, pra variar, falei demais e ai já viu: o que era pra ser um comentário entre amigos, teve até retaliação via email. Mas afirmo que ainda mantenho minha opinião! Perdemos toda a diagramação porque desligaram sem querer o computador e não tinha nada salvo, que merda! Começar tudo de novo... é a vida!
Queríamos comer espetinhos, não tinha. Estava bonito para chuva, preferiram não fazer! Comemos carne na chapa, bebemos duas Bohemias e fui pra casa! Liguei a televisão, e no meio do filme, adivinha? Isso mesmo, ela queimou... Aí, sentei na frente do computador e tentei escrever uma crônica e ela não saiu.
Se algo que está ruim, ainda pode piorar ou se a lei de Murph existe, eu não sei. Mas às vezes parecem que estes ditados foram testados empiricamente, porque não é possível! O mundo é um barco de gente doida, que se estrepa a toda hora e ainda arranja tempo para se recuperar e começar tudo de novo. Espero o sono chegar para ir dormir, amanhã será um novo dia. Mais 24 horas para tentar ser feliz e um pouquinho melhor que hoje, porque eu disse que iria ser um ser humano melhor, mas o gozo e entusiasmo estão se perdendo no tempo... eu ainda não tenho nada!!!

Um ensaio sobre a gagueira


A gagueira de todo dia, o super-ego, maldito que nos limita! Quem foi mesmo que disse que a liberdade é sempre um sonho? Eu não sei, mas ele ou ela estava certo. Todos nós somos gagos, empatados por uma corrente de regras, de moralidade exagerada, de tudo em exagero, que limita sem fim a nossa tão sonhada liberdade, deixando-a cada vez mais no território feérico.
No mundo quadrado, na ilha limite de cada ser-humano está à gagueira, num tempo onde tudo é veloz, simultâneo, e o obsoleto é a cada segundo, é mesmo bem mais difícil falar qualquer coisa. KD vc? To xaudade! Te dollu! Baum fds! Naum Naum! Quanta voz empatada com essa nova linguagem tão estranha, feia, por assim dizer, mas rápida que responde as necessidades desses novos tempos, no entanto às vezes fico me perguntando se é mesmo uma necessidade ou se é marca do fim dos tempos! Gente não é não e fim de semana é fim de semana e mesmo assim ainda é bom!
Que medo é esse que temos falar limpidamente, isso mesmo falar sem engasgos, tem algo aí criado pelo homem que nos que domina como o mito do frankistaim, a criatura mandando no criador. A modernidade tecnicista que trabalha com todo o cinismo possível, que usa e abusa das imagens, porque com elas não é preciso mesmo falar nada dizem, quando dizem, que elas falam por si só, mas será mesmo? A publicidade, os outdoors estão aí em todos os lugares emitindo suas mensagens na velha e sempre comunicação acidentada, com percalços e limites, então até a visualidade não é tão límpida.
E se eu quiser gritar na rua, e se eu quiser gargalhar bem alto dentro do ônibus, eu até posso mas os olhos e a boca do seper-ego vai está lá me dizendo – olha isso não pode, você está num lugar público e em público não se deve falar –é mesmo eu me rendo nunca posso falar o que eu quero, muito menos tudo e pensando bem, bem mesmo! Ninguém pode, porque alguém já falou que a liberdade é só um sonho e deve ter sido o maldito super-ego!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um vírus só não faz doença: a AIDS como uma construção social

Vírus HIV é o causador de uma epidemia global, a AIDS que nestes últimos anos tem sido um foco de pânico porque as sociedades tinham pensado que superaram a morte e quando na verdade não queriam falar sobre ela. O modo como encaramos a realidade e como enfrentamos as doenças é algo que deve realmente ser considerado mais enfaticamente porque existe uma necessidade publica e existencial sobre isso.
A AIDS se apresenta como absolutamente mortal e epidêmica e trouxe a tona novas discussões principalmente do ponto de vista do social chamando atenção não somente para esta doença, mas para a calamidade publica que é o sistema de saúde, os absurdos ditado pelos preconceitos e a própria mesquinhez da humanidade. Hoje estar com AIDS não é apenas estar infectado com uma doença biológica, mas alem disso com uma doença social, o vírus não faz a AIDS sozinho, alem dele estão presentes o descaso, o desrespeito, a exclusão e o desconhecimento sobre cuidados e prevenção.
“É inadmissível que alguém sofra por um vírus, uma doença, uma enfermidade, e que alem disso, alem de enfrentar a morte, ainda precise se esconder da sociedade e dos seus irmãos e irmãs” como bem expressou Herbert de Sousa a sociedade trata seus doentes como seres à margem dos direitos e da cidadania principalmente quando se refere às doenças que provocam o ostracismo. A AIDS demonstrou, mesmo que de uma maneira cruel, que os seres humanos não são imunes à morte, atacando sem piedade a própria imunidade dos homens.
Espera-se a cura para a enfermidade do corpo e que junto a ela se agregue a cura do mal-estar social sobre doenças epidêmicas, porque uma doença não se faz sozinha, principalmente no que se refere a AIDS e outras doenças que são tratadas subversivamente.

SOCIOLOGIA E VIDA COTIDIANA: DA POBREZA A MCDONALDIZAÇAO

A sociologia como explicação das relações humanas em grupos e sociedades produziu nos últimos anos grandes compreensões da vida cotidiana principalmente no tocante as disparidades de classes e evolução dos conhecimentos tecnológicos e esta relação com a social.
Vários riscos produzidos nas sociedades são provocados ela intervenção humana na natureza alem disso o desenvolvimento de uma economia de mercado que absorve tudo que pode gerar lucro provoca uma banalização da vida e dos costumes. Esse efeito dominador do mercado assumiu proporções gigantescas principalmente com o processo de globalização e acentuou ainda mais as disparidades econômicas.
Um ato tão social quanto biológico como comer, se torna um martírio num tempo em que tudo é descartável, inclusive as pessoas. Alguns passam fome porque não disponibilizam de dinheiro nem ao menos pra uma refeição enquanto que outros não perdem uma nova promoção do McDonalds. Eficiência, calculabilidade, uniformidade e controle através de automação são as palavras do momento, principalmente, esses termos que repassam uma idéia de racionalidade para a vida cotidiana.
Numa época que a informação é tudo, refletir sobre os comportamentos é algo de fundamental necessidade para que desta forma seja possível compreender porque o consumismo assumiu grandes escalas e países ricos e desenvolvidos mantém ainda pessoas vivendo em extrema pobreza e do outro lado grandes redes principalmente de fast-foods e de comunicações.

Caindo na real: o encontro de Chapeuzinho Vermelho e Marquinhos Cabeção em tempos de novas barbáries

A jovem Rúbia (Chapeuzinho Vermelho) rica, mimada e com grandes oportunidades na vida em contrapartida Marquinhos Cabeção, pobre, sem grandes oportunidades e apenas um sonho ser jogador de futebol. A realidade sócio-cultural brasileira promove disparidades sem tamanho, resultado da falta de noção de cidadania, desenhada na evasão escolar, no desemprego e que gera uma violência conjuntural ( física, econômica, cultural, visual e etc...) e que amplia ainda mais as distâncias sociais.
A era das novas tecnologias que abrem possibilidades é mesma que pode devastar empregos, gerando exércitos de marginalizados, como Marquinhos Cabeção na musica de M.V.Bill, que tinha o sonho de jogar futebol profissionalmente no maracanã com a camisa do flamengo e ludibriado pelo que via na TV assim cresceu, mas vivia uma realidade que não supria suas expectativas e anseios, e acabou por seguir o caminho não mais fácil, mas o que estava ao seu alcance, à criminalidade. Já numa versão mais atual do conto de chapeuzinho vermelho, o final feliz permanece. A garota Rúbia de classe média alta não tinha anseios de vida delimitados acaba por se casar depois de ser internada como psicótica, no casamento vive feliz pra sempre, se isso é claro for realmente possível?
“Um tempo do movimento e da consciência da desordem é ao mesmo tempo o dos grandes riscos e das grandes possibilidades” (Georges Balandier), numa visão talvez menos pessimista esse pensador demonstre a versatilidade da sociedade moderna apesar de como já foi especificado, estejamos vivendo num tempo de novas e apocalípticas barbaridades. Fazer parte desta realidade e conhecer seus mecanismos de funcionamento é essencial, caso contrário estaremos alienados ao contexto do desenvolvimento social e do tempo em que vivemos propriamente. Procurar reconhecer a realidade com maior clareza é literalmente cair na real, sendo desta forma fundamental para vida em grupo.

VELHOS AMIGOS!

A velhice nunca foi doença, mas sempre tratada como tal. Aos velhos são delegados papéis sem funções numa sociedade, quando não simplesmente são execrados do convívio social saudável. A juventude parece esquecer que eles já foram jovens e se tornaram velhos não nasceram assim. O que aponta que a juventude também envelhecerá.
Como envelhecer de forma digna num contexto de exclusão? Sendo sagaz e buscando uma aprendizagem permanente. Os idosos têm muito a contribuir com suas experiências e com suas histórias eles são o passado oral que se escuta sempre que houver disposição de algum jovem para ouvir, aprender e ensinar. No entanto que os velhos possam compreender a impulsividade da juventude frenética e veloz da era dos bytes. Os idosos são seres humanos e devem ser tratados como tal, mas é necessário que eles estejam dispostos conquistar novos conhecimentos e não se limitem , simplesmente porque em vez de 20 possuem 80. E quem falou que aos 80 não se aprende mais? Porque devem apenas bordar ou jogar baralho? Podem desbravar o mundo virtual mesmo que com a ajuda de uma pessoa mais nova. Os novos têm algo a ensinar e a aprender também. Queridos velhos aprendam com os jovens, mas os ensinem como foi maravilhosa a sua época e quantas coisas impressionantes você fez quando tinha a mesma idade.
A velhice saudável deve fazer parte dos nossos planos, não nos enganemos porque o tempo realmente passa! Viver por mais maravilhoso que seja não é para sempre. Com o desenvolvimento da medicina estética plástica se torna cada vez mais algo banal, no entanto é preciso entender que envelhecer não é um martírio pelo menos não deveria ser e tentar esconder a idade com plástica, buscar uma juventude física que não voltará é frustrante e entristecedor. Fazer plástica é condenável? Lógico que não, mas que você faça plástica e não que ela faça você. Envelhecer é destino de todos, mas que ele seja prazeroso. Como diria Lya Luft: “A velhice que tarda agora bem mais do que décadas atrás, pode ser bela, alegre e apreciada enquanto não for amarga.” Então não façam da velhice algo como um caminho para o fim e a tratem como uma fase da vida que possui altos e baixos como qualquer outra e que precisa ser vivida intensamente e dignamente.
Peço aos velhos, nos amem, nos divirtam, nos apóiem, nos escutem e nos ensinem porem façam o mesmo consigo,amem,divirtam-se, escutem, aprendam e acima de tudo vivam. Vocês são velhos não mortos. Agora, seja capaz de ser velho não de virar caricatura, ou tentar ser criança, seja velho apenas, tenha orgulho dos anos que conquistou que viveu e que foi feliz ou até mesmo nem tão feliz, todavia não se mutile porque o tempo passa ele vem para todos, seja amigo do tempo não reme contra maré. E jovens respeite os anos que vocês ainda não tem porque existem grandes chances deles chegarem para você.

Em nome de Deus: terror e fraternidade no campo religioso

Os preceitos religiosos são os guias dos fieis, mas até que ponto estes preceitos interferem numa convivência social saudável? Um exemplo bastante comum de fundamentalismo religioso se dá no islamismo onde o terrorismo faz parte das ações mais freqüentes dos seguidores extremistas.
O islamismo deixou de ser exclusivamente uma religião e passou a ser uma cultura, uma sociedade, alem de fazer parte de um contexto político diferenciado dos moldes ocidentais e das democracias onde a liberdade de expressão é algo muito distante ou simplesmente um sonho longínquo como acontece no oriente mulçumano. Mas afinal qual é o problema do Islã? Uma rigidez dogmática ligada a códigos severos e que não considera as liberdades individuais que não admite ser contrariada, nem o próprio mulçumano é livre para questionar a sua crença. Uma religião que vive de prescrições antiquadas e arcaicas e que a intolerância com outras modalidades de religião e cultura estão bastante acentuada. “Em nome da convivência multicultural, intelectuais do Ocidente hesitam em pôr em evidencia a situação subjugada da mulher no Islã. Ora, aqui não cabem relativismos. Abuso e mutilação sexual são crimes e ponto final. Hoje, agora, já!” nessa afirmação de Ayaan Hirsi Ali uma ex-mulçumana que vive na Holanda e que é parlamentar, não deixa brechas ao extremismo que é pregado pelo islamismo principalmente no que se refere às mulheres e no tratamento dado a elas e uma critica as políticas internacionais que se fecham para esses comportamentos.
O fundamentalismo religioso não é uma exclusividade do islamismo todas as outras formas de manifestações religiosas apresentam algo do tipo, mas com configurações diferenciadas do Islã. A perspectiva de uma reflexão critica das doutrinas religiosas deve ser considerada e o respeito à cidadania e aos direitos de dignidades dos seres humanos devem aparecer com mais ênfase nas discussões políticas internacionais, mas antes de tudo é preciso que os próprios seguidores compreendam estes abusos e absurdos e possam buscar uma forma mais respeitosa de convívio com os outros indivíduos que profetizam uma fé e uma cultura diferente das suas. A fraternidade entre os povos e suas diversidades religiosas deve ser buscada e uma visão de alteridade para que outro seja enxergado com respeito e como um ser culturalmente diversificado. As variedades de religiões no planeta promovem diversos tipos de cultos e prescrições que necessitam de uma socialização e de um convívio saudável. A manutenção de uma vida que não seja cativa que se mantenha um mínimo de neutralidade possível principalmente no tocante a outras formas de pensamentos religiosos e até mesmo quando se trata de concepções literalmente discordantes como é o caso do Islamismo com as outras formas de expressões de religiosidade.
A evolução das concepções religiosas ocidentais se difere do islamismo justamente porque parecem se adaptar de maneira mais fácil as realidades diversas e aos comportamentos que não se adequam aos seus em especifico. Mas vale ressaltar que isso é numa visão ampla da situação visto como já foi mencionado o extremismo religioso também acontece nas religiões ocidentais como no cristianismo entre outras, só que se dão de maneiras mais sutis e nas suas micro-relações, grandes atos como os ataques terroristas não fazem parte das atitudes pelo menos não descaradamente.

Jornalismo é literatura- uma lógica dialética

“As palavras são a matéria-prima com que a literatura é construída”, partindo dessa idéia é feita a seguinte pergunta: Qual é a matéria-prima do jornalismo senão as palavras?Ora, então jornalismo é literatura ou um gênero desta? Tentar-se-á entender estes dois questionamentos buscando um entendimento para ambos nesta discussão.
Um jornalista constrói seu texto com criatividade assim o faz também o escritor, é difícil chegar a conclusão de como estes profissionais constroem seu texto, se por meio de uma técnica, que pode ser ensinada, ou por meio de um dom. “Todos os elementos da boa escrita dependem da habilidade do escritor de escolher uma palavra em vez de outra. E o que prende e mantém nosso interesse tem tudo a ver com essas escolhas” O que faz o jornalista senão isso, escolher palavras? Com o intuito de informar e de transmitir as informações o jornalista produz textos que exigem dedicação, leitura e releitura, um trabalho minucioso de escolha e decisão de palavras.
O significado fundamental do jornalismo na transmissão de noticias não é econômico, é social. Ele se dispõe a informar para sociedade e desta forma tem que responder as suas necessidades e as suas cobranças, logo um dever com o interesse público e para o público. É nesse sentido que o jornalismo possui responsabilidades que são inerentes a sua prática, dentre elas veracidade, objetividade, honestidade, imparcialidade, exatidão e credibilidade mesmo sabendo que muitos desses preceitos são idealizações todavia existe a necessidade de pretendê-los. Essas objetivações promovem um jornalismo de qualidade e que se baseia na responsabilidade com interesse público.
O compromisso que o jornalismo tem não é simplesmente noticiar por noticiar senão qualquer um poderia produzir um texto e publicá-lo em um meio de comunicação qualquer, existe a necessidade de um texto bem feito, e isso inclui habilidade, técnica, edição e experiência que pode ser ensinado sem grandes complicações, mas existem textos e textos. Uns que apesar de excelentes na técnica não apresentam aquela qualidade de produção de alguém que faz um texto com aquilo que chamam de dom. Existem certas habilidades com o manejo das palavras que não podem ser ensinadas, que são aprendidas com a vivência e a maneira como isso se instala na nossa cognição e como acontece esse processamento. Esse efeito se dá tanto no Jornalismo como na Literatura, a diferença de qualidade textual.
Numa linguagem simples o jornal trata as questões essenciais (quem, o que e onde e não o porquê), alguns tipos de literatura também trabalham dessa maneira, uma linguagem simples, mas nem por isso sem conteúdo substancial o que aproxima ainda mais o jornalismo da literatura.
O que se entende por gênero literário? Será que dentro dessa conceituação as características do jornalismo se enquadram?
“Gênero literário na definição clássica, é a espécie de construção estética determinada por um conjunto de normas objetivas, a que toda composição deve obedecer; na moderna, uma soma de esquemas estéticos, com base metodológica e racional, que representam formas de expressão.” O jornalismo é uma construção estética que obedece a normas de forma objetiva e representa acima de tudo uma forma de expressão, logo o jornalismo é uma literatura em prosa de apreciação de acontecimentos.
“O jornalismo é uma literatura sob pressão na medida em que o que dele permanece como literatura resulta de um exercício de criação – ainda que mais de transpiração do que de invenção, mas nem por isso desprovido de inspiração – a pressão do tempo, a pressão do espaço e a pressão das circunstâncias.” (OLINTO,p.29). O transforma o jornalismo numa literatura de velocidade e instantaneidade.
Vale ressaltar que a literatura do livro e a literatura do jornal são diferentes uma vez que respondem a propósitos diferentes e alem de tudo alimentam outras intenções. Diferenciam-se também na forma e no conteúdo e na maneira como desenvolvem a linguagem e o uso e escolhas das palavras na construção dos textos já que são produzidos para consumidores diferentes e diversificados acima de tudo.
Essa conceituação não é unânime e apresenta discussões homéricas a esse respeito, que é tratar o jornalismo como um tipo de produção literária, isso não é consenso, e para muitos, radicalizando inclusive a discussão, consideram que o jornalismo é a morte da palavra.
Historicamente o jornalismo brasileiro viveu anos de desenvolvimento aliado com a literatura. Os textos literários pela dificuldade de publicação em forma de livros eram publicados, diariamente ou semanalmente, em jornais que ficaram conhecidos como folhetins. Isso aproximou bastante a literatura do jornalismo e inclusive influenciou o tipo de produção noticiosa.
Desta maneira podemos observar que não existe uma facilidade em tratar as similaridades entre jornalismo e literatura. As semelhanças são evidentes mas ainda são acometidas infinitas discussões nesse sentido visando chegar num consenso.
O que pode observar é o jornalismo é uma atividade árdua, complexa com diversas propostas estéticas e com uma função social que não deixam dúvidas. Partindo destes pressupostos e desta complexidade observou-se a necessidade de tratar o jornalismo de maneira holística, que fuja do padrão, ver os lados e simplesmente publicar o que é dito por cada um.
O que a literatura instaura no jornalismo, a meu ver, é justamente essa visão do todo, do complexo, que as ações sociais não são control C e control V que o jornalista apenas reproduz no seu texto. A literatura chama a atenção quando deixa claro que a decisão do uso das palavras é de quem produz o texto e isso demonstra a impossibilidade do jornalismo ser imparcial e que o autor é o responsável pelo que ele escreve e não suas fontes.
Se jornalismo é literatura, vejamos o que essas discussões ainda renderão, mas desde já que saibamos que o jornalismo produz um tipo textual característico, que possui conteúdo, intenção, informação e isso os textos literários também apresentam. Não visualizemos os conteúdos jornalísticos como uma literatura romanceada, porque eles estão longe de apresentarem características de romances. No entanto não deixam de ter sua relevância para construção de elementos de dinamizam as Letras, a literatura e si.
O jornalismo tem como sua expressão básica a noticia, e assim sendo possui seu próprio espaço, que serve a literatura, que faz literatura e em vezes é efetivamente literatura, dependo do meio de comunicação, mas que acima de tudo é jornalismo. E cabendo efetivamente dentro da concepção de gênero literário. Mas que possui em seu intimo um lado anti-literário, na medida em que não pode alterar os fatos, quando tem que ser sintético diferente de vários textos literários que se esbaldam com as palavras, e quando não podem descaracterizar o fatos.
O jornalismo é uma atividade dialética, maleável, que encanta sendo vezes literatura vezes somente fatos.

sábado, 12 de julho de 2008

E QUANDO CHEGA A HORA É MAIS LEGAL!

Mais um ano chega ao fim e todos se preparando para a de sempre e nova virada de ano.
O céu se pinta de novas cores e o som quase mudo da madruga dá lugar a um novo, o dos fogos que recheiam a noite escura do trinta e um de dezembro cada vez mais colorido e barulhento quando a hora se aproxima.
Seis dias após o natal um período destinado à reflexão e ao amor quando é relembrado o nascimento de Jesus no calendário cristão uma festa religiosa e da ordem sede seu lugar e os pensamentos dos homens a uma festa da desordem onde a reflexão dá lugar a uma luxuria apaixonante e empolgante que proporciona pensamentos de busca pela paz e de melhorias para o novo ano que chega.
As festas de Reveillon são passagens repletas de rituais e simpatias que geram um encantamento cada vez mais profundo, as roupas brancas tão tradicionais quantos os fogos de artifícios, os pulinhos nas ondas a beira mar, as uvas, o mel e todas as simpatias realizadas cada uma com um significado tão especial ou até muitas vezes inusitado e o desejo pela paz esta em cada segundo que aproxima do inicio do novo ano.
Vai passando os minutos e são milimetricamente contabilizados e os fogos começam o aquecimento para na hora exata, vai passando os segundo finais e estes são contabilizados em um coral de vozes que se fosse possível seria ouvido em todo o Brasil ao mesmo tempo, cinco, quatro, três, dois, um!!!!
Pow ! Pow! Pow! Os fogos estouram com mais vivacidade e eloqüência deixando o céu com uma nova cara mesmo que por poucos minutos o silencio é quebrado e nesta é mais legal!
Parece florescer uma nova esperança, apesar da certeza no coração de que poucas coisas mudarão realmente!
O barulho no céu e as novas cores que ele teve vão embora e nesse espírito chega o novo ano com festa, que ilumina mas que também se apaga pra voltar novamente quando mais um ano se for e quando chega esta hora é mais legal! Vivamos o novo até que ele fique velho novamente e assim continuará até o fim pra se renovar sempre. Tempo de renovação!

AS FACES DA PRODUÇÃO JORNALÍSTICA NA MODERNIDADE

“O espetáculo em cartaz é a vida.” A frase de Filipe Pena traduz um novo modelo de produção jornalística que por necessidade ou por interesse somente, se adequou ao processo mercadológico. O jornalismo pode ser considerado um mecanismo de produção cultural e de informações, mas atualmente parece rumar para um novo caminho aquele do espetáculo e do entretenimento.
As diversas maneiras de produção no campo jornalístico se modificaram ao longo do tempo. A grande revolução trazida por Gutenberg com os tipos móveis não faz mais sentido na era da informação e das comunicações sejam elas sociais ou não. Os mecanismos de influência desse campo vão bem alem de somente aos receptores, os próprios jornalistas são comandados pelo que produzem e por seus patrões já que em geral trabalham pra uma empresa que busca incessantemente a audiência, mas pensar com a cabeça dos patrões produz uma auto censura. Como driblar o mercado e as pressões hierárquicas em nome da manutenção da qualidade editorial? O marketing se sobressai com maior freqüência no que é produzido pelo jornalismo, sempre tem espaço para os anunciantes, já as matérias sempre têm como enxugar uma “coisinha” aqui e outra ali e assim vai, um jornalismo de produção enxuta e seca no sentido literal da palavra.
Outro problema do fazer jornalístico é bem tangenciado a audiência, aquilo que vende é noticiado o que não, vai fazer parte da produção textual particular do jornalista que esta bem distante dos veículos de comunicação. Nesse sentido nos resta aquela dúvida, o que realmente é notícia? Um homem morder um cachorro deixou de ser noticia a muito tempo e nem tem importância no entanto saber quanto a Playboy vai pagar a Gyselle Soares pra posar nua tem mais relevância, que fique dito comercial porque no que diz respeito do social está bem distante. Esses novos critérios de noticiabilidade questionam o interesse publico o direito por uma informação de qualidade e verossímil, todavia é o que esta sendo feito.
Estes componentes estão longe de produzirem uma democratização dos veículos de comunicação e antes de qualquer coisa da comunicação social em si, um problema de produção e de difusão cultural, mas fazem parte das novas nuances de produção jornalística e por mais paradoxais que pareçam ser rumam para esta lógica afim de uma concretude.