terça-feira, 20 de agosto de 2013

Calorina

Gota serena, serena! Com o frescor dos teus pingos esse fogo vai simbora. Teresina é menina cheia de calor, e no B-R-Ó- BRÓ fica com o fogo da gata. Coisa da idade.

Thays Teixeira
Teresina, 19 de agosto de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O sambista e o perfume

Depois de passar mais de cinco vezes em frente ao mesmo barzinho, as amigas decidiram entrar, custava apenas 10 reais. Aquela noite prometia muito samba, era uma quinta-feira, era na Lapa. Duas cervejas e uma caipirinha, apenas isso para termos certeza que a alegria iria imperar naquele dia.

Em meio a um SMS, que ficou pelo caminho, e seria enviado a uma amiga, um cheiro suave e expressivo chegou e me roubou para dançar. Daí tudo mudou e os meus pés que não eram muito bons com a dança, rapidamente inventaram de acertar os passos para entrar no samba. E lá estava a pleno vapor e no ritmo dos sambas tradicionais e dos sambas enredos comuns na rotina da carioquíssima e boêmia Lapa.

Mas o perfume, ah o perfume, ele era suave como a brisa que chegava pela porta a cada parada entre uma música e outra. Um cheiro marcante como os sons dos instrumentos que compunham a roda de samba que animava aquela casa de shows. E não podia ser diferente, a vida nos levou a uma sequência de experiências sensoriais que marcariam a memória por horas e horas, dias e dias, propositadamente para sempre. Esse é o papel da saudade, deixar um cheiro.

Aquela noite chegou ao fim, pegamos o táxi e chagamos na Glória. O cheiro do sambista veio junto, estava impregnado na roupa, da mesma maneira na memória. Junto com ele chegou uma delicada mensagem que carinhosamente dizia: foi bom conhecê-la, foi muito legal dançar com você, quero mais! O quero mais era tão compartilhado que mesmo com muito sono a ansiedade pelo outro dia atormentava a dormida. O cheiro, mesmo com o banho, insistia em permanecer, e as pernas depois de muitos rodopios estavam marcadas pelo desejo de continuar também.

Os dias que se seguiram foram à mistura perfeita de samba e perfume! Na realidade de músicas e perfumes. O jovem sambista me roubaria todas as noites seguintes até que aquela viagem chegasse ao fim. E quando a hora chegou à vontade de repetir tudo de novo insistia em permanecer. Ele me fizera sorrir, me fizera dormir pouco, me fizera andar pelo calçadão de Copacabana, me fizera sentir frio só pra eu pedir vários abraços. Tudo isso me fazia querer de novo, e de novo.

No fim dessas linhas eu acho que o cheiro do sambista, seu sorriso alegre, seus passos avassaladores pelo salão insistem em me acompanhar. Ele parece que está bem ali, e que a viagem não chegou mesmo ao fim. Eu tenho a leve impressão que ainda estou usando o meu chapéu panamá e estou preparada para mandar uma mensagem e novamente aquele cheiro vai me tirar para dançar. Cadê?

A saudade é como molho agridoce

O grande rei do baião disse uma vez: “a saudade amarga que nem jiló”, mas o mesmo gênio da composição musical nordestina afirmou também que este sentimento pode ser bom. E nessa linha tênue entre o bom e o ruim a saudade movimenta a vida de muitas pessoas, de todas possivelmente. Quem nunca sentiu saudade daquela velha roupa que viu outro dia em uma foto antiga? Quem nunca sentiu saudade daquelas brincadeiras da infância que nos deixavam sujos como o quê? Quem nunca sentiu saudade daquele primeiro amor, ou de um doce familiar que se foi? Quem nunca?
            São tantos quem e tantas velha lembranças, que temos vontade de lacrimejar só em pensar que foi bom viver muitas dessas coisas. Mas também sentimos vontade chorar todas as vezes que lembramos que algumas delas foram dolorosas e tristes. A saudade se configura nesse entremeio de  coisas que não podemos mensurar, nem quantificar mas sabemos que estão ali ou que já estiveram em algum momento de nossa história. E porque esse sentimento é tão presente em nós? Seria mais fácil não lembrar, não ter vontade de reviver, ou de sentir muitos desses momentos. Seria, mas não é assim que a vida gira.
            O que temos é esse principiar e fim, é esse monte começo e monte de finais. As coisas da vida parecem mesmo últimos capítulos de novelas, onde paramos para ver e nos empolgamos com as formas que as façanhas e vivências terão, queremos saber como findará. E esse desejo de fim se une com aquela ganancia pelo botão de resetar, que nos garantiria a possibilidade de começar tudo de novo. O botão reset que está presente apenas nos vídeo games não foi dado para a humanidade. Nós humanos no máximo conseguimos inventar para nos próprios as memórias e junto delas a valiosa saudade.
            Hoje  é o dia de um bom samba igual aquele que dançamos na última semana, em que  viajava com uma amiga. Na realidade hoje é o dia de ir ao samba, contudo somos nós que não estamos mais lá, naquela cidade animada que tem dias onde se toca apenas samba. Somos nós que pela necessidade de sentir saudade partimos para a nossa casa e deixamos os outros amigos, que certamente estarão naquele bom samba, logo mais a noite. E nós que não poderemos estar presentes ficaremos com aquela sensação de que estaremos perdendo algo, perdendo mais que bons passos pela gafieira, estaremos perdendo um bocado de sorrisos.
            Deve ser mesmo por que vamos perder os sorrisos de outrora, que vivemos por sentir saudades. Quando lembramos daquela velha roupa, ou daquele namoradinho de outrora, ou das brincadeiras,  ou do samba da última semana, estamos mesmo é lembrando dos sorrisos que ficaram no passado, dos sorrisos que não podermos mais ter de volta. Sentimos a dor e a delícia de saber que eles estão lá. É o sabor agridoce da saudade, que é delicioso como o mel e amargo como o jiló do seu Lua. E mesmo assim a gente sempre está correndo atrás de temperar a nossa vida com esse molhinho.
          
            Sorrindo mais um pouquinho vamos caminhar pelos lugares, e pensar sempre que a vida é assim um conglomerado de começos ameaçados todos os momentos pelos fins que eles precisam ter e pela vontade de perpetuá-los.
          
            Vai repetir o prato, meu senhor? E posso saber se gostaria de um pouco mais de molho dessa vez?

domingo, 5 de maio de 2013

E do meio do nada chegamos a um Lugar Comum *


Por Thays Teixeira

Planejamos começar muitas coisas todos os dias. Alguns desses planejamentos se perdem nas horas que se encaminham e ficam por lá, nas encostas do tempo. Mas outros não, outros dão certo e a concretude é o triunfo, ou o trunfo. E nessa história diária de começar coisas e de não, é que ousamos. Ousamos ver amigos, ousamos conhecer pessoas, ousamos conversar sobre esses planos e ousamos executá-los. Na maioria dos casos é essa ousadia o catalisador.

Na tentativa de colocar em prática qualquer coisa e transformar a pasmaceira do cotidiano, você acessa uma rede social para tentar ter uma grande ideia e ver ousadias alheias. As ideias parecem que não vem mais do nada nesse ambiente cheio de coisas repetidas e milhares de vezes reproduzidas. As ousadias estão lá temos apenas que encontrá-las. Tudo já está imerso na premeditação dos planejamentos iniciais dessa história.

Numa dessas maluquices de querer começar algo, você pode conversar com um velho amigo e lhe contar um plano, que nunca imaginou que dividissem. Escrever quem sabe, e mais que linhas cômicas em uma janela de bate papo, essa é uma coisa a se fazer. Que tal colocarmos em evidência aquele velho plano da manhã? Vamos escrever como sempre pensamos? Ou, vamos apenas escrever. E assim o entusiasmo da ousadia chegou audaciosamente.

E corremos para que esse plano não ficasse encostado nas armadilhas do tempo. Percorrer o caminho da aprovação de escrever, disso ser útil e mais ainda de isso ser possível de publicar. Contatos acionados e autorização garantida. Com tudo teoricamente finalizado vieram os medos: temas, frequência de escrita, compromisso, aprofundamento, ego alimentado, remuneração inexistente, contar aos amigos e família, alegria. O projeto novo começou!

Complexamente, as coisas do dia têm formas peculiares de principiar e que bom que tem. Do contrário, tudo seria uma permanente repetição e não fugiríamos do mito do eterno retorno de Nietzsche, se bem que, é legal pensar que tudo pode voltar outra vez, só não precisa ser igual. Nestes tempos, deve ser um pensamento assim que nos coloca a procura de novos projetos em meio às redes sociais, nas telas acesas e frias de um computador, ou algo semelhante. Deve ser o desejo de retomar algo, com feições de novo e um delicado sabor de plano repetido que nos coloca a prova.

Que ideal filosófico! Algo tão lugar comum, só pode começar mesmo de um simples plano de escrever e de publicar fora de uma página cheia de amigos selecionados e aceitos. E planejar coisas diariamente mantém o mesmo sentido da ideia comum de contar histórias de coisas e pessoas. A forma é tão aleatória que do meio do nada chegamos ao Lugar Comum de escrever, ou de tentar alinhar palavras. Talvez essa seja mesmo a perspectiva dos planejamentos: fazer com que coisas repetidas tenham cara de novas, cheiro de velhas e sabor de ousadia.

*Texto originalmente publicado no Jornal O Dia (Teresina - Piauí), em 04 de maio de 2013, na coluna Lugar Comum

segunda-feira, 18 de março de 2013

Confidente

É quarta-feira e o sol já está se pondo. A moça dos sapatinhos coloridos não consegue esquecer em nenhuma semana esse momento, lembra como eram felizes as quartas-feiras de outrora. Além das lembranças, ela só tem o telefone e o endereço de email. O máximo que consegue de felicidade é aprender uma palavra nova, em manhãs tristes e quentes de verão.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 17 de março de 2013.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Em casa de ativista....


Laura usa lentes azuis e não pega sol para deixar a pele mais clara. Pinta o cabelo de loiro e alisa. Posta inúmeras fotos com maquiagem em tom mais claro para parecer caucasiana.

Sua irmã Luka, uma ativista dos direitos étnicos, acha que tudo isso é uma opressão e que pessoas com esse comportamento não tem o poder de escolha e são controladas pelo sistema.  
- É a ditadura europeizante! Diz ela.

No entanto, Luka não reconhece esse comportamento em Laura. Argumenta que a irmã é fashion e despojada. Isso porque ela faz curso superior e diz entender das leis. Se ela morasse numa favela e tivesse baixa escolaridade o discurso talvez fosse outro.

Miguel Alves, 20 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Até a próxima



Olhando extasiada todas as mais de 90 mil pessoas que passavam percebeu porque as suas pernas doíam, eram passos intermináveis e queridos sorrisos. Hoje carrega o peso das cinzas e  as lágrimas pela morte de mais um amor: o carnaval.

São Luis, 13 de fevereiro de 2013

Thays Teixeira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Desejo

A moça era ansiosa. E por ser filha única estava acostumada a ter tudo sempre que desejava. E o que ela queria agora estava próximo pelo bate-papo mas distante do seu corpo. Quase enlouqueceu com as mãos.
Miguel Alves, 22 de janeiro de 2013
Thays Teixeira

sábado, 5 de janeiro de 2013

Classe subalterna


Ícaro sabia do significado de seu nome e o odiava. Mas isso parece que o perseguia. Todas as vezes que tentou o seu lugar ao céu, a cera derretia e ela caía estatelado no chão.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 04 de janeiro de 2013

Narcisismo


Fernando descobrira frequentando as aulas de Epidemiologia, que a tradicional brincadeira de cinco contra um, é a mais segura das formas de amor. Agora, ele não para de pensar em si, quer logo se pegar.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 04 de janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Invisível..


Luis nunca entendeu ao certo porque passava noites a fio conversando com Helena. Ele não a via fazia alguns anos. Mas ela era de fato um espírito presente, e sabia muito sobre sua vida. Os segredos mais sórdidos. Ele a quer, agora.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 04 de janeiro de 2013

Consumida


A chuva se foi. Mas parece que ela levou consigo todo o poder de escolha da jovem Camila. Logo ela que sempre tem tudo meticulosamente calculado em sua vida. Azul ou amarelo, não conseguia escolher os sapatos que melhor combinassem com seu novo vestido Prada.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 04 de janeiro de 2013.

Um coitado


O que Ana queria mesmo era dormir de conchinha com o seu atual amante. Mas as convenções a obrigam a deitar-se com Lúcio. Ele mal consegue levantar a perna para pôr os chinelos, o que dirá aquilo que esposa tanto almeja.
Thays Teixeira
Miguel Alves, 04 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Presságio


- Se tudo que você vive, ou realiza é uma experiência antropológica. Então, quando alguém ousa analisar discursos alheios é fofoca literária. A tal moça loira, Meama, pensa assim. O que será mais que ela confabula?
Thays Teixeira
Miguel Alves, 03 de janeiro de 2013.

Coincidência

Ele sempre que me via chamava o mesmo nome. Eu olhava desconfiada, mas seguia em frente. Até que um dia, já desesperada em curiosidade, parei.
- Não sou essa tal Flor, senhor!
E ele respondeu.
-Sou cego, senhora.



Thays Teixeira
Miguel Alves, 03 de janeiro de 2013

A bunda

Há dias não ouvia Radiohead. Lembrou que não pode ficar muito tempo sem cumprir seus rituais alucinógenos. E junto com a música pensou:
- Vou já comer!
Mas ele quem foi comido.
Thays Teixeira

Miguel Alves, 03 de janeiro de 2013

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um caso com as japonesas


Nas manhãs a história é sempre a mesma. Onde está? E desesperadamente, ou melhor, enlouquecidamente ela vai atrás de seus amores. Após alguns minutos de busca ela avista a doçura. Achei! E logo coloca nos pés as suas japonesas.

Thays Teixeira
Miguel Alves, 31 de dezembro de 2012

sábado, 29 de dezembro de 2012

O fim do mundo


Todos os fins de anos eles se prometiam a mesma coisa: amaremos mais. E quando o fim de todos esses anos chegava tinham feito bem menos amor. E fora assim por longos 10 anos. Mas esse ano foi diferente. Com medo da morte, por causa das profecias de fim de mundo, fizeram, fizeram e fizeram. O mundo não acabou, mas a fonte do desejo sim. Mataram-se!

Thays Teixeira
Miguel Alves, 29 de dezembro de 2012

Inspiração


Seu Raimundo, com quase 80 anos, o que mais gosta de fazer é olhar os transeuntes pelos condobós da janela. Na noite de ontem brincou com ele mesmo inspirado com o que via.

Thays Teixeira
Miguel Alves, 28 de dezembro de 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

A defenestração de Mano Menezes *


Entre as teorias do jornalismo, está incrustada a do gatekeeper, onde o personagem jornalista é considerado um cão de guarda que fica à frente de um portão e irá definir o que é ou não notícia. E nesse universo de definir o que dará ao acontecimento comum o status estrelar de notícia muitos critérios vêm à tona. Uns bem evidentes, outros nem tanto. Por exemplo, o futebol sempre terá o seu espaço nas produções jornalísticas brasileiras. No país do futebol, onde a maior parte do noticiário esportivo é dominada por temas relacionados a este esporte especifico, certamente a demissão do técnico da seleção tomaria conta das pautas do jornalismo brasileiro naquela sexta-feira, 23 de novembro de 2012. E não foi diferente! O gatekeeper cumpriu a sua função.
Mano Menezes esteve à frente da seleção brasileira por mais de dois anos e tentou emplacar um estilo próprio de gerenciar seu time. O treinador comandou o Brasil em 39 jogos (contando com a equipe olímpica), conquistando 26 vitórias, seis empates e sete derrotas. E como no Brasil todo mundo entende de futebol, este estilo não agradou. Nem torcedores, nem o novo gestor da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, que apresentou a demissão do então técnico. A demissão veio como uma surpresa, já que a seleção brasileira acabara de ganhar o segundo título do grande clássico das Américas, contra a famigerada seleção argentina.
E depois de muitas entrevistas o que se percebeu foi que o Mano Menezes saiu decepcionado e sem entender bem o acontecimento, já que sua seleção estava vitoriosa. A decepção do treinador lembra o cronista Luis Fernando Veríssimo, quando descobriu o significado do verbete defenestração: ato de atirar alguém ou algo pela janela. “Acabou a minha ignorância, mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?”, conta o escritor numa crônica.
Futebol sempre vira notícia
E, tentando responder ao questionamento, ele descobriu que a palavra defenestrar tinha origem francesa e que os franceses de antigamente deveriam executar muito esse hábito. De todo modo, quem sentiu na pele a dor amarga de ser defenestrado foi Mano Menezes. Talvez aí conste a decepção do treinador ao responder os repórteres, que cumpriam o seu papel de jornalistas especializados.
William Waack, âncora do Jornal da Globo, é um daqueles gatekeepers de que falam as teorias do jornalismo e a ele cabe a função de apresentar o telejornal e fazer a escalada de suas matérias, função que divide com Cristiane Pelágio. Nesta semana, o jornalista global exerceu sua atividade deixando claro seu conhecimento da língua portuguesa, que gosta de literatura e pode definir o que vai ou não ao ar na telinha da Globo.
O apresentador cunhou em sua atividade diária a palavra defenestrar ao tratar da demissão do técnico Mano Menezes, e palavra nenhuma poderia definir melhor, figurativamente, o ato que acabara de sofrer o profissional do futebol. Havia sido defenestrado, de uma janela (fictícia) qualquer da confederação brasileira, o técnico da seleção. Aquilo movimentou o país, na mesma semana em que outro atleta era julgado por assassinato (caso goleiro Bruno). O futebol sempre vira notícia.
Não é para qualquer um
E como já é sabido, a criatividade e o entretenimento são características que circundam o jornalismo esportivo nacional. Onde humor e mau-humor sempre podem estar presentes. Programas televisivos cheios de elementos técnicos, design, de personagens, de jornalistas que se misturam com o próprio acontecimento, de cores, e como assertivamente reforçou o Waack, até mesmo de defenestrações, caracterizam este modelo jornalístico, o de esporte.
Centros de pesquisa em jornalismo desenvolvem estudos sobre os novos formatos de produção em jornalismo esportivo e de como essa categoria se institui diferenciadamente no universo produtivo da comunicação. Talvez não nos decepcionemos com o estilo produtivo e nem com os profissionais especializados em esporte, do contrário estaremos em situação similar a de Veríssimo e Mano Menezes. Em vésperas de grandes eventos esportivos, o mercado do jornalismo está provando que pode propor gêneros jornalísticos, decidir com mais afinco o que será ou não notícia, que palavras podem usar e como interagir com o público. Em outras palavras, exercendo com demasiada habilidade a capacidade de serem gatekeepers e profissionais de decisão. Depois que o William Waack usou a palavra defenestrar numa escalada para a matéria de demissão de Mano Menezes, o jornalismo esportivo pode tudo! Afinal, defenestrar não é para qualquer um, e o jornalismo esportivo continua e graças a ele, a demissão do Mano, não teve nada de francesa, a não ser pela origem do verbete defenestrar.
Referências bibliográficas
VERÍSSIMO, L.F. O Analista de Bagé. Porto Alegre, L&PM Editores, 1982

*Texto publicado originalmente no Observatório da Imprensa, na edição de 27 de novembro de 2012, edição nº 722.